Há algo de especial a Este…

Eu tinha esta aventura na minha lista de desejos já há alguns anos; imaginei ir de um continente para outro descobrir diferentes culturas, tradições, sabores, etc…nessa altura não tinha a consciência ambiental que tenho agora, portanto o roteiro alterou-se.

No início do ano passado, sonhava com o comboio transiberiano, viajar de autocarro ou comboio na China, Sudoeste da Ásia, fazendo caminhadas em Annapurna e apanhando um voo para chegar à América do Sul e outro de volta casa….em 5 meses! Como não sabemos nada ao ler apenas blogs de viagens e livros. Eu tinha criado um fundo para isso (com as minhas próprias poupanças) e acreditem em mim que foi uma quantia generosa!! então pensei que a ideia era passível: 2 semanas aqui, mais 2 acolá… saltando de um lado para o outro… Ah Ah (lembro-me agora do Nelson dos Simpsons a rir-se…). A realidade atinge-nos quando começamos a perceber a realidade da rede de transporte e distâncias, e a adicionar as redes de segurança: seguros, vacinas, medicamentos…. quase 1000 euros foram para isso! Sei que alguns optam por não o fazer, mas sendo um íman de mosquitos como eu prefiro levar tudo! Isto significou cortes no budget; assim a viagem começou no dia 1 de outubro, no entanto não para Moscovo, mas para New Dehli (bastante diferente!).

Dica: passa os olhos pelas fotos da viagem (isto é só um excerto!!) antes de leres.

1 mês na Índia = 1/4 Índia, e num ritmo rápido. É um país gigantesco; chegar a todos os lugares de interesse precisa de no mínimo 8 a 16 horas de autocarro ou comboio; estas são as opções mais baratas e geradoras de histórias que você pode obter. Os condutores de tuk tuk podem ser bastante chatinhos (condicionantes da vida também estão na base do comportamento), por isso tens de desenvolver um sistema para negociar os preços e manter a tua posição – eles vão respeitar. Alojamentos: digamos que se arranjam alojamentos de 2 a 3 estrelas (padrões europeus) por uma média de 7,50€/noite/pessoa; mas, mais uma vez, histórias impressionantes de vida, aventuras dos próprios proprietários, empregados e outros turistas enriquecem a experiência. Tens de estar preparado para o calor! mesmo em outubro, lembro-me de me manter afastada do exterior durante as horas do meio dia. As cores, o cheiro, o ruído e o zumbido constante são uma distração permanente, mas ao mesmo tempo é o que define a cultura indi e eu passei uma grande pate do tempo a capturá-la através da minha lente. Fiquei principalmente no norte: do deserto, das terras altas de Darjeeling, à cidade sagrada… mudanças de paisagem e assim o ritmo daqueles que vivem lá. Em quase todos os lugares havia uma corrida contagiosa para chegar a todo o lado e a lugar nenhum! Tenho de admitir até para a minha adaptabilidade mental depois de 3 semanas foi como se eu precisasse de umas férias da Índia (se existe tal coisa); no entanto há 3 coisas que não posso esquecer: comida (até fiz um curso de culinária!), a surpreendente generosidade apesar dos frequentes “esquemas” e a fé mesmo para quem fora destinado a sobreviver pela casta onde se viu nascer. Nisto, já as mulheres e as “castas inferiores” estão a revoltar-se e a lutar tacitamente pelos seus direitos na sociedade. Há alguns grupos de caridade estrangeiros a ajudar, mas a maioria das campanhas e obras são feitas pelos locais. Relativamente questões ambientais a Índia ainda tem um bom bocado pela frente; a poluição visível excede quaisquer iniciativa de pequenos grupos ou do governo… mas a consciência está lá, então espero que dentro de algumas gerações eu possa revisitar uma Índia mais verde.

Annapurna- nop, muito frio! ahaha… isto é verdade! após a climatização concluída na Índia e alguns dias em Darjeeling a decisão chegou-nos muito facilmente 🙂 Vemo-nos da próxima vez no Nepal! com mais roupas… P.S. o seguro para fazer trilhos no Nepal é uma loucura! (outra razão para mudar de planos)

Myanmar: por que não? Isto não fazia parte do plano inicial, mas era a decisão mais inteligente… depois que beber uma lassi em Jaipur surgiu-nos esta ideia. O Myanmar (Birmânia) tem tanto para oferecer e por onde desenvolver! Estão no caminho certo, apesar de toda a história trágica dos últimos anos e disputas políticas/religiosas entre fronteiras. Nunca me senti ameaçada neste país e, sinceramente, é um dos lugares mais seguros em que estive durante esta viagem. Ninguém estava a tentar ludibriar com negócios e esquemas à mesma velocidade que acontecia na Índia; as pessoas abordar-te-iam apenas para te servir! O inglês não era grande coisa em quase todo o lado, mas com paciência podíamos comunicar. A vida floresce no lago Inle, gigantescos balões de papel incendiaram-se durante o festival das luzes (ainda estou a rir quando penso nisso!), cascatas lindíssimas que terminavam após alguns os trilhos íngremes (realmente íngremes), a praia mágica em que acabámos depois de partilhar uma mini-carrinha com 2 famílias francesas durante 12 horas, as bananas grátis, as saladas de algas e de abacate…. hmmm. Há muitas boas memórias daqui, mas vou deixar-lhe algumas boas fotos para entender o que estou a tentar transparecer desta experiência.

Tailândia: há uma coisa que não posso esquecer sobre a Tailândia… malditos MOSQUITOS! Viajámos duas vezes para a Tailândia (norte e sul) e nunca experimentei nada como isto noutro país! estes eram mosquitos ninja posso dizer!! Não importa a quantidade de repelente que se usava, tipo de roupas ou a raquete elétrica (sim, Tomas comprou uma e adora “estrelar” mosquitos!) – encontraram sempre uma maneira picar! Aqui valorizei todo o dinheiro gasto para as vacinas! De qualquer forma, a Tailândia é a terra do PAD THAI! Yep adoro pad thai…tanto que me inscrever numa aula de culinária. No Norte vale a pena fazer caminhadas na montanha, visitar as cascatas “pegajosas”, os mercados de rua, o Mae Hong Son Loop e todas as paragens aconselhadas, beber o café local e visitar os santuários de elefantes (atenção que um fidedigno poderá custar 75€ por um passeio no parque, mas a ideia é apoiar este tipo de organizações mais transparentes). No Sul, as ilhas são fantásticas e ainda mais o que se ode ver debaixo de água; aqui a escolha de agências de aventura carece também de alguma atenção particular no impacto ambiental que elas representam – vi algumas embarcações velhas cheias de grupos de turistas chineses, cujo propósito era só dar uma voltinha e verter óleo sobre a água (esta imagem não me saiu da cabeça por dias). Já não passava tanto tempo debaixo de água desde criança! Fiquei absolutamente atordoada quando vi tubarões, uma tartaruga gigante, chocos, peixes tigre, o nemo, entre outros tantos coloridos. Sempre que mergulhava levava a minha câmara waterproof (que comprei por uma pechincha antes de viajar para França), embora as fotos não sejam perfeitas têm história. Na Tailândia todos falam bem inglês (se estou a comparar com Myanmar, por exemplo), mas para levantar dinheiro paga-se uma taxa elevadíssima, o que significa que andava com muito dinheiro no bolso sempre que ia ao multibanco – ocê ganhou a lotaria, ah?

Laos: passeio de barco pelo rio Mekong: foi uma experiência e tanto; barco cheio, velocidade cruzeiro, barulho q.b., catering on board e área de fumadores na parte de trás sempre a bombar (onde as latas de cerveja iriam pilhar no final do dia). Dois dias para chegar a Luang Prabang, cidade que adorei – senti-me bem acolhida. A noite ganha oura animação com o mercado extenso de rua; durante o dia pega-se na bicicleta ou scooter e vai-se visitar fontes termais lindíssimas, enormes cadeias montanhosas para os entusiastas da natureza que querem dormir perto da vida selvagem (como nós fizemos) e gente genuína e de bom coração. Bem, preste atenção a esta história que é notável (pelo menos para mim) e segue o ponto anterior: estávamos numa mini-carrinha a viajar até uma pequena cidade perto de uma Cordilheira onde íamos fazer um safari; para entrar na carrinha todos tinham de retirar os sapatos e colocar num saco de plástico eu a empresa fornecia; a viagem foi a mais nauseante de sempre…bem, não para mim, mas para todos os outros que já entravam com saquinhos de plástico na mão para amparar o…blaghh…Depois de 9 horas nesta fantástica viagem, uma das senhoras que ia à minha frente sai na paragem da sua aldeia e leva os sapatos com ela…coitada veio todo o caminho mal disposta…Olhei pela janela, tirei umas fotos e aguardei até o motorista arrancar para fechar a janela. Quando cheguei à minha paragem (graças a Deus!) procurei as minhas sapatilhas de caminhada que tinha colocado no saco… e em nenhum lugar para serem encontrados! M***, eu preciso deles para o safari, ou então só de chinelos! M*** (disse esta palavra algumas vezes na verdade…). Lembrei-me naquele instante que tirei uma foto onde o último casal tinha ficado e, muito provavelmente, foram eles que me tiraram os sapatos! O Tomás oferece-se para vir comigo se arranjarmos uma moto… como é que vamos aluguer uma scooter no meio do nada? Como o proprietário da pousada onde ficamos (que era adorável e muito generoso), que se ofereceu para perguntar ao seu primo que tinha uma. No dia seguinte acordamos muito cedo para nos pormos à estrada; o pequeno-almoço servido pelos locais, aquecido em cima de uma grelha a lenha, a mulher do primo, que é dona da única loja móvel da cidade, mostra-nos a scooter e saímos em direção ao ponto fixado no google maps; imediatamente reconheci o local por ter lá parado no dia anterior; tentamos comunicar com alguns locais, sem inglês mas com google translator; nada parecia avançar até que um senhor começa a rir muito alto e chama-nos para segui-lo; assim fizemos…daqui a nada vi os meus sapatos nos pés de um senhor ainda mais velho, baixinho e notavelmente com um pé bastante pequeno para aquelas sapatilhas de montanha… eu mostrei os chinelos dele que ele tinha lá deixado e assim se fez a troca! Tive pena de os trazer de volta, mas não podia ir para o meio da selva em chinelos!! Apesar de tudo fomos convidados a beber uma bebida fermentada feita de arroz e até cerveja! Enquanto isto uma senhora atrás de mim estava a matar uma galinha e a olhar para nós a pensar se eu matasse duas, será que eles ficam para almoçar??! (isto já sou eu a inventar). Rimo-nos tanto no caminho de volta! Mas o Laos foi muito mais do que isto, de forma que te deixo algumas fotos para teres uma ideia.

Camboja: devo dizer que adorei Siemp Reap; desde a vida noturna em torno do mercado nocturno (e a senhora doida varrida das galinhas!), ao Angkor Wat e ao passeio de bicicleta à sua volta, à adorável família com quem tivemos a oportunidade de partilhar histórias e espaço durante quase uma semana (continuo a lembrar-me do miúdo sempre com os seus trajes de super-herói!), o improvável café onde conhecemos um entusiasta do youtube que adora partilhar o Cambodja com os turistas e seus seguidores, etc. Do Cambodja as memórias que trago tem caranguejos (sim, caranguejos…mercado de caranguejos em Kep, monges perseguindo caranguejos na areia, estátuas de caranguejo…), tem 3 portugueses que encontramos em Kampot a gerir um restaurante que representou muito bem a nossa cultura, tem trabalhos humanitários realizados no Hospital Angkor para ajudar crianças vulneráveis e em outras instituições de caridade ajudando a combater o tráfico humano e a exploração de crianças, tem pequenos negócios que apoiam pessoas com deficiência e os incentiva a prosperar no mercado de trabalho, tem interessantes projectos ecológicos sediados em zonas rurais e com uma organização estupenda, servindo a comunidade e o turismo; também tem muitos investimentos chineses e a natureza e tradições a serem destruídas à medida que esses por lá passam (casinos no topo de uma colina, construção e mais construção para fantasmas). A poluição é algo bastante visível, apesar de alguns grupos ecologistas terem iniciado uma campanha na direção de reverter o impacto até agora conhecido; acreditem quando digo que os turistas não são os maiores poluidores (apesar do turismo em massa contribuir para a poluição) – realisticamente quem mais polui ainda são os locais devido há uma má gestão de resíduos, pobres sistemas educativos em vigor e disponibilização dos plásticos como uma comodidade do dia a dia.

Malásia: passamos mais tempo na Malásia do que o planeado ( a ideia era ir ao Bornéu mas as condições meteorológicas não o permitiu); No entanto fizemos muito bons contactos durante a nossa estadia: o mais memorável foi o Mr. Happy, guia turístico que nos levou a uma caminhada de 2 horas pela densa floresta exótica perto de Cameron Highlands e nos fez felizes também!! Não vimos chimpanzés, mas vimos gibões (sem contar a enorme quantidade de macacos comuns ao longo do caminho) e hornbils na natureza! Nenhuma cobra, no entanto, como o Tomas queria ver…mas tivemos experiências surpreendentemente boas em centros de conservação; sei que há muito tumulto em torno deste tema, mas acredito que alguns centros de conservação estão a fazer um bom trabalho em manter as espécies vivas num ambiente que quase imita o original. ideal, não! mas este não é um mundo ideal e, tanto quanto pude ver/ouvir a maioria dos animais selvagens estão em perigo (ou perto de serem) pela estupidez humana e ganância… um tópico muito forte para falar aqui, mas se estiver interessado, faça-me um e-mail e eu direciono-lhe algumas boas informações. Além disso, a Malásia tem alguns museus realmente interessantes e divertidos – o Museu da Comida em Penang e o Museu do Alumínio em Ipoh são realmente bons e interativos! Também têm um preço razoável! Agora que falamos de comida: LAKSA: que bom! novamente, Ana foi para uma aula de culinária para aprender formas malaias de cozinhar. Aprendi algumas coisas interessantes de um chef profissional sobre os sabores umami e como cozinhar peixe à moda dos portugueses (aqueles que por lá andaram há umas centenas de anos). A praia de Lankawi foi um decepção, mas os créditos foram recuperados nas montanhas. A Malásia tem uma forma engraçada e equilibrar de inclusão de tantas religiões e etnias: chinesa, indiana, malaia…a história explica como eles continuaram até hoje a coexistir tão harmoniosamente (mas é longa e deixo-vos essa tarefa de pesquisarem). Não há diferenças religiosas visíveis na forma como as pessoas interagem no seu dia-a-dia: todos compram ao talhante X porque ele tem a melhor carne da cidade, não importa se ele é muçulmano ou não… compram os vegetais da senhora chinesa no mercado da cidade pois ela tem o melhor preço e qualidade….há uma boa vibração ao redor e começa logo cedinho! As pessoas adoram trabalhar, comprar e socializar. É na generalidade um país bem desenvolvido, especialmente a capital (ainda mais do que algumas capitais na Europa); fazer compras é um grande negócio em Kuala Lumpur, a sério! Demais para ser honesta…o capitalismo tende a trazer outras questões sociais, como pobreza extrema e os renegados que já não víamos desde que saímos da índia…

Mas estes foram fantásticos 5 meses em curso,
Absorvendo tudo para amadurecer,
Ideias pré-concebidas sem saber.

Comentário

A Semente é um projecto multidimensional que reúne Terapias Naturais, Coaching de Nutrição e Saúde, a cozinha e estúdio FoodLab e outras extensões que estão neste momento a germinar. Pretende-se com este projeto partilhar as ferramentas necessárias para uma vida mais saudável, completa e equilibrada.

+351 968 138 712     Porto

Semente Health Coaching © 2021. Todos os direitos reservados. Design por Susana Reis. Política de Privacidade.

Carrinho
  • Sem produtos no carrinho.